sábado, 22 de outubro de 2011


"Soneto de Montividéu"


Não te rias de mim, que as minhas lágrimas
São água para as flores que plantastes
No meu ser infeliz, e isso lhe baste
Para querer-te sempre mais e mais.

Não te esqueças de mim,que desvendas-te
A calma ao meu olhar ermo de paz
Nem te ausentes de mim quando se gaste
Em ti esse carinho em que te esvais.

Não me ocultes jamais teu rosto; dize-me
Sempre esse manso adeus de quem aguarda
Um novo manso adeus que nunca tarda.

Ao amante dulcíssimo que fiz-me
Á tua pura imágem, ó anjo da guarda
Que não dás tempo a que a distância cisme.
(Vinícius de Moraes)

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